por Hellen Reis Mourao

Ártemis, a deusa da Lua

Ártemis ou Artemisia é uma deusa da lua, da caça e da vida selvagem. É filha de Zeus e Leto e irmã gêmea de Apolo. Em Roma recebeu o nome de Diana.

A lenda conta que Leto, grávida de Zeus procurou um local tranquilo para poder dar à luz aos bebês. Devido à ira de Hera, nenhum local a acolheu, pois temiam a retaliação da mulher de Zeus. Foi então que a estéril e flutuante Ilha de Ortígia, que não pertencia à Terra e, portanto, não tendo o que temer da parte de Hera, abrigou a amante de Zeus. Leto, contorcendo-se em dores, esperou nove dias e nove noites pelo nascimento dos gêmeos, pois Hera segurou a deusa dos partos com ela. Leto deu à luz primeiramente a Ártemis e depois, com a ajuda desta, a Apolo. Vendo os sofrimentos por que passara sua mãe, Ártemis jurou jamais casar-se e manteve-se sempre virgem.

Ártemis ganhou de seu pai Zeus, um arco e flechas de prata, além de uma lira do mesmo material (seu irmão Apolo ganhou os mesmos presentes, só que de ouro).

Para utilizar o arco e flecha, Artemis preecisou estar em um estado psicológico adequado

Ela tornou-se rainha dos bosques e possuía uma corte de Ninfas, as quais fizeram um juramento de total desapego à figuras masculinas. É representada com túnica curta, pregueada.

Ártemis é uma deusa virgem assim como Héstia e Atena. Mas é indomável, vingativa e feroz. Mas o fato de ser virgem não a impedia de velar também sobre a fecundidade feminina.

Ártemis não vivia no Olimpo, seu habitat eram campos e florestas, em meio aos animais que neles habitam. Era a única juntamente com Dioniso, que sempre foi acompanhada por um cortejo.

Para compreender Artemis enquanto imagem arquetípica é necessário compreender a lua, satélite a ela associado. A Lua está associada ao feminino, regendo o ciclo menstrual da mulher, as marés e a fertilização dos animais e das plantas. Inconstante e mutável, ela é fonte de umidade e de brilho à noite. Sua luz é doce, difusa e terna.

A cada fase da Lua, os gregos associaram uma deusa. Selene correspondia mais ou menos à Lua Cheia; Ártemis, ao Quarto Crescente; e Hécate ao Quarto Minguante e à Lua Nova, ou seja, à Lua Negra. Revelando principio feminino da vida em três fases: a donzela, a mãe e a anciã. E Artemis, então revela justamente a fase da donzela, da virgem.

Por ser seu habitat as florestas, podemos supor que Artemis rege o inconsciente, as regiões obscuras da mente, nossos aspectos instintivos e primitivos e regiões ainda inexploradas da psique. Como Deusa virgem estava imune a relacionamentos, mostrando um aspecto de inteireza, completude, unicidade e integridade. E as Deusas virgens nos mostram que a mulher pode escolher não se casar e mesmo assim se sentir autoconfiante e inteira.

Outro símbolo importante a ser falado é o do arco e flecha. Para utilizá-lo é necessário não apenas ter uma boa pontaria, mas um estado psicológico adequado. Estar irritado antes de uma caçada era sinônimo de errar o alvo. E a Deusa nunca errava um alvo.

Portanto, Ártemis simboliza a busca de um centro interior, onde há equilíbrio. Acertar um alvo, ou atingir uma meta requer uma intuição e inteligência instintiva, que não vem da mente racional. Portanto, não adianta tentar acelerar a conscientização de aspectos obscuros. Isso demanda tempo e espera.

Encontre seu equilíbrio emocional para alcançar metas

Além disso, nas Mitologias Sol e Lua são geralmente retratados com irmãos, ou amantes. A Lua símbolo do inconsciente e o Sol símbolo da consciência representam um par de opostos. São os aspectos progressivos e regressivos da psique.

Os gêmeos então representam uma contradição. A nossa luta pela individualização, nossas oposições interiores e exteriores. Nossos conflitos com as demandas externas e internas: se devemos atender o coletivo ou atender nossas demandas internas, se devemos seguir os instintos e liberá-los ou usar de moderação e autocontrole.

Mas é justamente esse conflito que traz a força criadora da consciência. Portanto devemos suportar essa tensão representada pelos gêmeos Ártemis e Apolo para que a função criadora, a função transcendente apareça e nos traga a consciência necessária para ampliar nossos horizontes.

Hellen Reis Mourao

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Analista junguiana. Formada em psicanálise e psicologia analítica. Especializada em Mitologia e Contos de Fadas. Atendimentos em psicoterapia.