por Andrea Pavlovitsch

Beleza oculta – Morte

“Nada está realmente morto, se você olhar direito.”

 

O que é a morte? É o fim? É o recomeço? Depende do que você acredita? Se você é cético e acha que tudo acaba ou se você acredita na vida após a morte? Vamos analisar.

No filme, um homem está morrendo de uma doença que ele conhece bem, já teve antes, mas não quer avisar a família para que eles não sofram mais. A morte, então, se coloca no meio e diz que eles - a família - têm todo o direito ao sofrimento, à dor, à doença e aos problemas que isso vai trazer. Eles têm o direito de se despedirem e de fazerem tudo por aquele que amam.

O homem, então, acaba contando à sua esposa que disse já saber. Ela respeitou o momento dele e esperou que ele contasse, mesmo sabendo que ele estava morrendo. Demonstrou o que é o verdadeiro amor, apreço e, principalmente, respeito, pelo momento tão importante da vida dele. Sim, um momento da vida. A morte é consequência de uma só coisa: a vida. O que não vive não tem como morrer. Eu já perdi algumas pessoas importantes, um cachorro, para a morte física. Mas a morte não é só isso.

Morremos todos os dias. A criança que eu fui morreu para eu ser a adolescente e depois a adulta. Muitos pais não conseguem ver a morte em seus filhos. A morte das crianças que viram homens e mulheres. A morte acontece quando termina uma relação amorosa, de amizade ou de trabalho. A morte acontece quando perdemos um emprego, por pior que ele seja. A morte acontece quando perdemos os cabelos pretos e ganhamos brancos, então por que ainda temos tanta dificuldade para lidar com ela?

A morte das pessoas é a lembrança da nossa própria morte e das mortes que, muitas vezes, não permitimos que aconteçam. Aquela beleza oculta do morrer e renascer. Nunca existe um só de nada sobre a Terra. Vivemos na abundância do espírito e é ele quem nos supre de mais e mais.

Mas é tão difícil acreditar nisso, né? É tão difícil entender que morremos e nascemos todo o tempo, que a cada pequena mudança que fazemos matamos algo. Somos assassinos por natureza, e não estou falando só dos pombos atropelados pelos nossos carros. Matamos sentimentos, matamos esperanças, matamos até mesmo o amor.

E de morte em morte fazemos o nosso caminho, até o dia em que existe uma morte, a última. Lembro da primeira morte que eu presenciei na vida (não literalmente, mas na família). Era uma tia da minha avó que ela amava muito. Ela chorava. Eu não conhecia a tia, mas mesmo assim, quando ela morreu, fui para a janela e falei com uma estrela. “Queria tia, eu sei que você é uma estrelinha aí no céu e o céu deve ser um lugar bem legal. Então fala para Deus que nós aqui estamos bem. Obrigada e proteja a minha família, já que agora você está no céu com Deus. Eu te amo muito”. Não, eu não amava a tia, ou pelo menos não lembro disso, mas me pareceu uma coisa boa para dizer para alguém que tinha acabado de morrer. A morte pela visão de uma criança que teria bastante tempo para presenciá-la.

A vida é isso. É mesmo melhor aceitar. E aceitar os fins, de qualquer coisa, principalmente as coisas boas. Sim, amizades, amores, crianças. Tudo acaba. Então não esconda isso de si mesmo. Apenas passe pelo processo, apenas se coloque lá. Esteja presente e sinta o fim. A consciência precisa disso para que o show possa continuar.

Confira também: Parte 1 • Parte 2 • Parte 3 • Parte 4

Andrea Pavlovitsch

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Terapeuta porque adora ajudar as pessoas a se entenderem. Escritora pelo mesmo motivo. Apaixonada por moda, dança, canto e toda forma de arte. Adora pão de queijo com café e não pretende mudar o mundo, mas, quem sabe, uma pequena parte da visão que temos dele.