por Selma Godoy

Dando um “upgrade” na autoimagem - Parte 5

Hoje vamos dar início ao último fundamento desta série de artigos. Recapitulando: aprendemos a nos observar, nos responsabilizar, nos aceitar, nos afirmar e hoje vamos aprender a nos proporcionar integração. Bem, ninguém falou que ia ser fácil! E a integração dá  trabalho e requer tempo de janela!

No processo de expansão da consciência nos deparamos com partes nossas que até então não conhecíamos - estruturas universais aparentemente contraditórias de identidade, ou subpersonalidades - tais como, dominador e dominado, herói e vilão, velho sábio e criança. Estas “partes” permeiam as nossas atitudes cotidianas. Vamos a um exemplo: A pessoa que é severa consigo mesma, exigindo uma conduta de

perfeição está identificada com o mito do “dominador”. Por causa disto, ela acaba revelando uma parte que denominamos “dominado”, ou “impotente” que é o extremo oposto. O impotente é aquele que para não ser dominado pelo dominador, domina pela preguiça, pela inação, pela incompetência.

Gosto de uma analogia que compara o inconsciente a um leito de rio que secou. E assim, o montante de água (emoção) que corre por este leito tomará a forma de seus contornos. Esta ilustração demonstra o fato de que um núcleo de crenças repressoras contamina todos os aspectos da vida do indivíduo.

Em nossos relacionamentos projetamos estas “partes” e daí a coisa aparece exagerada no outro, para que nos incomodemos e as reconheçamos. Mas, cá para nós, quem inventou esta estória de projeção deve ser sádico!  Ou, o mais provável, queria dar trabalho para quem não teria o que fazer por aqui! Bem, mas já que o jogo é este, vamos em frente!

Discussões, projetos que se complicam, “rolo” na vida amorosa, são resultados da “não consciência” destas “partes”.  Imaginemos que você esteja planejando se mudar e para isso está contratando uma equipe de decoradores para sua nova casa. E sem se dar conta você se ressente por estar apegada a uma mobília que pertenceu a sua tataravó. Seu instinto de proteção sabe deste sentimento que resiste a descartar a mobília da velhinha, então para impedir que você sofra, ele cria todo o tipo de “rolo” naquilo que envolver sua nova casa, e no quesito decoração vai dar todo o tipo de “zebra”!
 
Na pessoa “integrada” as partes coexistem e se mesclam trazendo harmonia, pois cada “parte” tem algo importante a contribuir. A conscientização destes mecanismos é o caminho para uma vida feliz. Esta é a busca a ser empreendida por todos nós, mesmo que sob protestos!

Portanto, estar íntegro é ser capaz de agregar, absorver, assimilar, compor e incluir todas as “partes” de si, sendo flexível e criativo para aplicá-las na vida com equilíbrio.
O indivíduo “integrado” possui varias características, dentre elas:

     1.  Viver intensamente o momento presente, o que por si só já significa um bem estar incomum;

     2.  Abertura à experiência. Que leva a estar receptivo ao conhecimento, a novas oportunidades e aventuras, sem bloqueio de seus potenciais;

     3.  Confiança crescente na capacidade de tomar decisões.

Na próxima semana vamos falar dos impedimentos à integração trazendo maior clareza de processos que bloqueiam nossas realizações. Até lá!

Confira também: Parte 1 • Parte 2 • Parte 3 • Parte 4 • Parte 5 • Parte 6

Selma Godoy

+ artigos

Terapeuta de Aconselhamento. 20 anos pesquisando Espiritualidade, Comportamento e Psicologia.